quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Presos no passado, futuro incerto.

Penso que andamos todos presos no passado brilhante, no qual desejamos estar, viver e reviver tudo aquilo que passou, seja bom ou mau, o passado é sempre desejado. O revivalismo pode ser um ‘instrumento’ interessante na sociedade, no entanto, o perigo está sempre numa corda bamba e a ‘queda no limbo’ pode ser o ‘fim’.


O regresso ao passado está presente no quotidiano. São bandas que repescam êxitos da época onde o synthpop era rei, estilistas e marcas que utilizam o brilho e irreverência em roupas garridas, indo novamente ao reencontro do espírito da época. Podia continuar com um rol de eventos, programas de televisão e marcas que foram à procura do passado que todos desejam e choram…


Será este o combustível para o sucesso?


Todos nós passamos por esta fase revivalista…Doors, Hendrix, Pink Floyd e Joy Division são ícones da minha e de outras gerações, passaram na nossa juventude como sinais do passado, tumultuoso e glorioso, uma mistura agridoce que nos deixa com saudades de momentos que não vivemos. É estranho sentir essa força do passado, como se fosse nosso…será que foi? Todos nós pensamos, já não existe Homens como Einstein, Chaplin, etc…em Portugal por vezes existe um misto de vontades quando se fala em personagens que actualmente são idolatradas pela sociedade: Sá Carneiro, como o homem da social-democracia; Salazar como o homem que reprimiu um povo…no entanto, ouvem-se cada vez mais vozes de apoio, tudo graças ao presente, onde a crise domina e o povo sem dinheiro, deseja o regresso de um líder que maltratou o seu próprio país! Onde está o sentido e explicação para isto?
O passado como refúgio, um presente de sofrimento, misturado com um futuro negro ao estilo do ‘Velho do Restelo.

Somos um povo inconformado por natureza, com uma visão drástica, derrotista e dramática, ao som da alma portuguesa e património da humanidade, que emana murmúrios de profunda tristeza. É a pequenez do nosso território que nos faz pensar assim? Ou somo seres egoístas (não quero dar exclusividade ao nosso país nesta matéria…não é só aqui), que só querem ver para o seu umbigo, ordenado, casa, carro e bem-estar?


Pensar no presente e construir o futuro são pensamento básicos que nem muitos seguem… preferem hipotecar o futuro com o pensamento estagnado do passado errático, sim ‘vagabundo’, transportando a glória e brilho falso do passado, esquecendo o fundamental, a aprendizagem que foi ganha com os erros cometidos…


Temos deixar de pensa no MEU carro, na MINHA casa, nas MINHAS férias, na MINHA profissão, no EU que perdi o subsídio …temos de pensar mais em NÓS (um todo)…


Será que estas lutas são uma solução? Penso que não, são feitas para reivindicar, de uma forma egoísta, dando uma continuidade ao ciclo “o que eu conseguir para mim é melhor”… Temos de olhar para o bem de todos e não o bem de alguns (engraçado, acusamos os políticos mas fazemos os mesmo). Temos de olhar para um futuro em que eu posso conseguir coisas boas ao mesmo tempo que o senhor(a) que ganha uma miséria de reforma consiga comer uma bela refeição ou mesmo fazer umas férias…Querer tudo, subsídios e bons ordenados, sem pensar nos outros, não é a melhor solução! (atenção quando digo reformados, falo de uma população em geral, que por vezes não tem as suas oportunidades, graças ao egoísmo dos outros)

amos construir em conjunto, tentando deixar de fora o EU quero, EU preciso, EU luto..EU….



Foto: http://bostinno.com

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