sábado, 2 de abril de 2011

Genial

Sem dúvida um dos melhores em Portugal, grande equipa de imagem da estação SicNotícias Notícias. Simplesmente genial!





Fica aqui o fantástico poema de Oswaldo Montenegro, cantor e compositor brasileiro.

Metade

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.


Coração fraco

Com o ‘cheiro’ de pessimismo no ar, e uma pequena ‘brisa’ de FMI , o nosso país vai andando de bolsos rotos, deixando cair todas as moedas e notas, sem olha para trás, como se muito tivesse! Com ar cabisbaixo, lá anda, pensando nos demónios criados por governantes e instituições públicas, que os alimentam diariamente com a ajuda do povo, coração deste triste ‘vagabundo’ que deambula nas ruas da amargura…

O coração bate lentamente, sem perceber o que se passa! Critica, grita pelas ruas e faz ouvir a sua voz, mas não sabe muito bem o que quer , não se preocupa com as decisões e decisores do seu país, não quer saber o que é cidadania nem produtividade…é um coração egoísta, que só pensa no seu bem-estar como individuo sem pensar um pouco naqueles que o rodeia. Este coração está doente, com graves problemas de participação e de perceber o que se passa no seu país, infelizmente esta doença não é de agora, não é dos jovens, vem do tempo em que os cravos estavam na moda, onde se gritava liberdade. É uma doença crónica, graças à educação com graves falhas, onde ‘liberdade’ foi palavra de ordem...ninguém explicou o que vinha depois, o que tinha de ser feito. Ninguém falou dos deveres e das suas obrigações, só se falou em direitos! Sem deveres não existe o direito

Coração doente! Felizmente há uma cura, e essa cura está nele...É como no amor, aprendemos com os problemas, desilusões e com a raiva. Será que é desta que aprendemos?

“O primeiro dos nossos deveres é pôr a descoberto a nossa ideia do dever

Maurice Maeterlinck